Mais um título publicado em parceria com o CECS: "O Rolo Compressor do Jornalismo: Retratos de uma Profissão em Esforço", da autoria de Rita Araújo.
O jornalismo tem-se confrontado com inúmeros desafios e transformações
nas últimas décadas, não só pela evolução tecnológica e digital, mas
também pelos constrangimentos estruturais no negócio dos média, que se
carateriza, atualmente, pela crescente concentração da propriedade e por
um visível colapso dos modelos de negócio. A degradação das condições
de trabalho, a precariedade e a violência contra os jornalistas podem
contribuir para o esforço emocional, tendo impacto na sua saúde física e
mental, no bem-estar e qualidade de vida, mas também na qualidade do
próprio jornalismo. Embora muitas destas dimensões decorram de problemas
estruturais da indústria dos média, como o declínio de vendas e da
receita publicitária, há aspetos contextuais que contribuem para um
agravamento. A pandemia de COVID-19 foi um desses momentos, e vários
inquéritos aos jornalistas deixavam, já, antever uma crescente
deterioração das condições em que o jornalismo estava a ser exercido
(Araújo et al., 2023; Camponez et al., 2020). No entanto, não existiam,
ainda, dados que nos permitissem compreender o esforço emocional dos
jornalistas e a sua relação com as dimensões aqui enunciadas. Este
estudo teve como objetivo perceber as perceções dos jornalistas
portugueses relativamente ao esforço emocional na prática diária, as
suas causas, consequências, e a existência de estratégias de suporte.
Para isso, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com 50
jornalistas provenientes de vários tipos de meios de comunicação.
Os
resultados dão conta de uma realidade preocupante, e que nos deve fazer
refletir enquanto sociedade. Jornalistas precários não são jornalistas
livres, tal como não o são os jornalistas que temem pela sua segurança.