O novo livro em parceria com o CECS tem o título de "Migrações e Comunicação na Era Planetária: Debates e Ações" e é coordenado por Rosa Cabecinhas, Luiza Lins e Isabel Macedo.
Este livro reúne um conjunto plural de estudos e reflexões críticas
sobre migrações e comunicação, a partir de debates originados no
congresso internacional “Migrações e Comunicação na Era Planetária:
Debates e Ações”, realizado em Braga, em abril de 2025. Esta conferência
marcou o termo do projeto MigraMediaActs, cujo objetivo foi promover um
espaço para questionar, repensar e reconstruir percursos comunitários
através da comunicação, num contexto planetário fragmentado e
polarizado, marcado por profundas desigualdades. Ao longo de 15
capítulos, provenientes de trabalhos apresentados no congresso e
submetidos a revisão por pares, esta coletânea reúne contributos de
autores de diferentes áreas do saber e oriundos de diferentes
geografias, abordando um vasto leque de temáticas, entre as quais se
destacam: o debate sobre políticas migratórias, direitos humanos, os
procedimentos de vigilância eletrónica nas fronteiras e perfilagem
automatizada com auxílio da chamada inteligência artificial; as
dinâmicas das plataformas digitais e o impacto dos sistemas automáticos
de datificação; as representações das migrações e das pessoas migrantes
em discursos jornalísticos; a participação e agência de pessoas
migrantes e de outros grupos minorizados nos média, e outras questões
relacionadas com a conectividade e o acesso de pessoas migrantes à
informação no contexto digital, bem como com as disputas em torno dos
discursos de ódio e da xenofobia. Numa perspetiva de valorização da
diversidade linguística e cultural, cada capítulo desta obra é
apresentado no idioma escolhido pelos seus autores. Ao integrar
investigações empíricas e análises críticas, este livro afirma-se não
apenas como uma coletânea temática, mas também como um gesto político
que questiona quem tem direito à palavra, quem é escutado e quem conta
apenas como estatística. Deste modo, evidencia-se o papel da comunicação
tanto na reprodução de hierarquias coloniais e desigualdades, quanto na
criação de espaços de resistência e na produção de contranarrativas.