UMinho Editora dá a conhecer a história da maçã-da-porta-da-loja e a sua ligação ao Mosteiro de Tibães, em
"Da-porta-da-loja ao Mosteiro de Tibães", da autoria de José Carlos Gonçalves Peixoto.
Esta obra convoca a atenção para a simbiose entre a
maçã-da-porta-da-loja e a sua origem atribuída ao mosteiro de Tibães.
Tendo em conta as circunstâncias e o poder senhorial, procuramos, no
âmbito da historiografia portuguesa, conectar o berço deste fruto com a
freguesia de Mire de Tibães e com o núcleo alargado da família Casais,
fiel depositária deste património lendário. Entendemos que os argumentos
apresentados, apoiados em boas fontes e nos dados recolhidos, sustentam
a hipótese formulada, reconstituindo cientificamente o pretérito, à luz
das metodologias que a evolução imprimiu à história local.
Ficamos
atónitos quando encontramos documentos que focavam a descoberta de
velhas e maduras macieiras na cerca conventual. Tudo se deveu à audácia
dos antigos caseiros do mosteiro de Tibães, os «Casales – Casais» que,
ao disseminarem pelas quintas circundantes, não deixaram que esta
variedade caísse em vias de extinção, num contexto de economia verde e
da temática da sustentabilidade.
Desvendamos que a variedade da
«maçã-da-porta-da-loja» é uma herança beneditina, produzida num dos
poios, ou socalcos da cerca conventual e, posteriormente, difundida
pelas quintas da região. Esta dádiva é mais que uma memória histórica e
cronológica, é uma tomada de consciência qualitativa na busca de uma
identidade, de legados sociais, morais e económicos, pois sempre
respeitamos a transmissão de testemunhos, a tradição e o legado dos
antepassados como símbolo identitário da aldeia.
Procuramos
distribuir o nosso contributo por três partes. No primeiro capítulo,
procuramos desvendar o mistério que envolve a maçã-da-porta-da-loja,
especificamente, a conexão com a herança monástica de Tibães, bem como
uma abordagem histórica da agricultura no seio beneditino em geral e, em
particular, da fruticultura nas propriedades do mosteiro de Tibães,
patrimónios que sustentavam a vida religiosa do instituto monástico. No
segundo capítulo elaboramos uma abordagem sobre o domínio fundiário do
senhorio do mosteiro de Tibães, que conheceu muitas vidas. Viu nascer
algumas e perdeu outras tantas. No terceiro capítulo, procedemos a uma
breve referência e mais contemporânea sobre a caracterização, origens e
tradições da maçã-da-porta-da-loja, de que tanto nos orgulhamos, do que
temos e do que vamos fazer para a defender enquanto fruto de eleição.